Tradições da nossa aldeia

     Na terça-feira de Carnaval, dois homens metem-se debaixo de uma manta de serapilheira, sendo que o da frente enfia a cabeça debaixo de uma molhelha de vaca enfeitada com dois grandes cornos. É o touro. Derreados, a urrar, correm pelas ruas e entram, a espaços, nas mercearias para  beber alguma coisa e retemperar forças. 

     Rapazes e raparigas seguem-nos hilariantes até que o touro arremete e todos procuram escapulir atropelando-se no desespero da retirada. Por vezes das lojas onde param saem  baldes de agua atirados à multidão. À frente do touro um homem procura conduzi-lo ao mesmo tempo que se esforça, por vezes em vão, por acalmar as arremetidas do animal. 

     Amiúde pára-se também para tirar o leite. Chamam-se os populares para verem e, quando não, aí vem um balde donde é lançado um líquido de duvidosa salubridade.

     E o touro percorre toda a aldeia subindo e descendo as ruas...

   

Festa da Nossa Senhora da Estrela

     Esta festa é realizada no 4º Domingo de Agosto.

     A imagem de Nossa Senhora era levada em carros de bois pelo caminho velho até à ermida e daí trazida nos barcos engalanados até Porto Antigo, onde um sermão abençoaria a faina piscatória e comercial, terminando a procissão onde se iniciara.

     Hoje para grande tristeza da população, a procissão já não desce pelo rio abaixo, limita-se ao percurso a pé até Porto Antigo e regressa à capela.

             Em Boassas ainda se recorre a pessoas mais idosas, chamadas talhadoras, para a cura de certos males. Os quais citamos alguns exemplos:


        Talhar o tesorelho (Papeira) - Talha-se pondo o jugo da vaca sobre o pescoço do padecente. A talhadora benze-se e diz: "Trisorelho sai-te daqui que a canga da vaca está sobre ti". Diz-se três vezes rezando-se, nos intervalos, um Pai Nosso.


        Talhar a orvalhada ( herpes) - Talha-se uma vez durante três dias. Talha-se com uma faca na mão. A Talhadora pergunta: "Eu que talho? O padecente responde: "Corvo, cobrão, aranha, aranhão, bicho de toda a nação."

A Talhadora:" Eu lhe corto meio e cabeça e rabo. Em louvor de S. Pedro e S. Paulo e S. Silvestre quanto lhe faço quanto lhe preste e lhe seja aqui o verdadeiro mestre."

No final reza-se um Pai Nosso e uma Avé Maria.


        Talhar o ventre caído ( quando as crianças são muito fracas e não se desenvolvem) - Talha-se com três folhas de couve embebidas em azeite, pondo-se sobre o ventre das crianças. Depois a talhadora, fazendo sucessivas cruzes sobre o ventre, diz: "Ergue-te ventre que o Senhor te manda". No final reza-se uma Avé Maria. Talha-se durante três dias uma vez cada dia.

Voltar..\index.htm


CIMO